quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Para iniciar bem o seu dia ...


Se você é uma daquelas pessoas que, ao acordar, demoram a sair da cama e depois que levantam levam algum tempo para entrar no ritmo, talvez esteja faltando energia para começar bem o dia. Às vezes, a causa está em uma noite maldormida, outras vezes pode ser cansaço ou preocupação. Alguns rituais podem ajudar o corpo e a mente a despertarem com mais disposição, como certas posturas de Yoga, pranayamas (exercícios respiratórios) e rotinas ayurvédicas.A professora de Yoga Maria Laura Packer, da Casa de Yoga Shanti OM, de Joinville (SC), explica que acordar bem é tão importante quanto dormir bem. “Quando acordamos, o organismo necessita eliminar as toxinas que durante a noite ficaram retidas por falta de mobilidade física. O período da manhã é quando os órgãos de eliminação do corpo (intestino, rins, bexiga, fígado, pulmões e pele) necessitam ser estimulados para que a eliminação das toxinas ocorram.” Segundo ela, as dores do corpo que sentimos logo cedo, quando acordamos, devem-se, em grande parte, ao acúmulo de toxinas que estão retidas, por isso é necessário fazer alguns exercícios para preparar-se para um novo dia. Como a maioria das pessoas não tem tempo, vamos ensinar algumas rotinas para fazer entre 30 a 40 minutos. Levantar um pouco mais cedo não sacrificará seu sono, pois depois desse ritual, você estará muito mais bem-disposto.MeditaçãoO professor de Yoga Edi Lisboa, do Rio de Janeiro (RJ), tem seu ritual próprio ao levantar da cama. “Pela manhã, normalmente antes de iniciar a prática, tenho por costume tomar um banho frio, para ficar desperto. Depois, faço alguns exercícios respiratórios e, na sequência, medito por 40 minutos, com um mantra.” Edi recomenda uma meditação chamada japa (repetição de um mantra), com um número determinado de repetições. Para iniciantes, o ideal é começar com 27, e progressivamente ir aumentando (somando-se + 27), até alcançar 108 repetições. Você pode usar o cordão de 108 contas chamado japamala para controlar a contagem. Isso pode ser feito, por exemplo, com o mantra Om, que é de fácil verbalização e não vai demandar muito tempo para sua execução. “A opção por este mantra é porque ele nos conecta com a nossa natureza essencial, ou seja, aquilo que tanto buscamos: paz, conforto, tranquilidade. Feito pela manhã, nos dá disposição e bem-estar para o dia”, ensina. A repetição em si já pode ser considerada uma forma de meditação. Ao final da recitação (em ritmo pausado), pode-se ainda observar, por um minuto, os efeitos sobre as emoções, o fluxo dos pensamentos e a concentração natural que ocorre após a recitação. AyurvedaErick Schultz, diretor do Instituto Naradeva Shala e vice-presidente da Associação Brasileira de Ayurveda, comenta que devemos antes prestar atenção à qualidade do sono para levantar bem-disposto. “O acordar bem começa com um sono adequado, que depende de muitos fatores, como alimentação, meditação, banho”, explica. A nossa rotina diária consciente no Ayurveda chama-se dinacharya. Além das práticas de Yoga, pranayama e meditação, o terapeuta recomenda um ritual de devoção, que pode ser uma prece ou um mantra — dependendo da sua religião — e fazer uma automassagem antes de dormir e ao acordar.O Ayurveda prega que a primeira coisa que ingerir pela manhã influenciará o seu humor durante o dia todo. Com isso em mente, beba um copo de água morna com um pouco de suco de limão espremido. A água morna serve para estimular o trato gastrointestinal e a peristalse (ondas de contrações do músculo nas paredes intestinais que movem seu conteúdo para a frente). Essas frutas também são ricas em minerais e vitaminas que ajudarão a eliminar ama (toxinas) do trato digestivo.


Segue uma prática de Yoga, simples e curta, porém eficaz para ser realizada logo cedo ao acordar.


Bhastrika Pranayama (respiração do fole) Sente-se em uma postura confortável, com a coluna ereta. Dilate o abdome inspirando lentamente e contraia o abdome expirando. Repita este ciclo vagarosamente por dez vezes, até que possa coordenar o movimento do abdome com a respiração, que deve ser para fora na inspiração e para dentro na expiração. Após entrar nesse ritmo, passe a respirar de forma mais vigorosa e rápida, mas mantendo a profundidade e o ritmo. O ar entra ativo e sai ativo, gerando calor, oxigenando as células, estimulando o fogo digestivo e melhorando a disposição do corpo para a eliminação das toxinas. (Faça três ciclos de 27 respirações cada.)


Surya Namaskar (Saudação ao sol) Esta série tem o poder de fortalecer as funções metabólicas por uma série de estímulos em todos os sistemas orgânicos. Gera vitalidade física e mental, mobiliza a circulação e elimina as tensões musculares e nervosas. Faça três ciclos.


Halasana (postura do arado)Deite-se de costas no mat. Estenda os braços ao longo do corpo. Expire e jogue as pernas para trás. Tente manter o tronco perpendicular ao solo. Estenda bem as pernas e coloque os dedos dos pés no chão, ficando dobrado para trás. Tente levar seu quadril mais para cima. Se quiser, pode colocar as mãos no chão. Mantenha a postura por algumas respirações.


Paschimottanasana (postura da pinça)Sente-se com os ísquios bem apoiados no chão e as pernas estendidas à frente. Ajeite-se até ficar bem encaixada na posição, com a coluna ereta. Flexione o quadril à frente, tentando alcançar os pés com as mãos. Leve a lombar em direção às coxas e não apenas o peito. Tente encostar a cabeça nos joelhos. Mantenha a postura por algumas respirações.Benefícios das posturas: o rolamento da coluna é altamente favorável para tonificar o sistema nervoso central, eliminar tensões localizadas nas costas, mobilizar a flexibilidade da coluna e gerar disposição em todo o corpo.



Matéria retirada da PYJ. Edição 29

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Kapalasana


A postura, cujo crânio toca o solo, é um treino de humildade, de diminuição da arrogância intelectual. O altivo crânio toca o mundano chão. Isso o põe numa dimensão mais humana e temporal, o que leva (a meu ver) a reflexão sobre a duração da existência, por isso é comum também o medo nessa postura. Ser humilde e mortal provoca medo e é um bom trabalho buscar o equilíbrio para ambos, a kapalasana pode ser uma opção para esse trabalho. Importante:Segundo Desikachar, é essencial que o yoga seja adaptado a cada um, viniyoga (yoga sUtra III.6). Para isso é importante, que para essa postura, que lida com aflições primordiais como medo da morte, abhinivesha [abhinivesha] (yoga sUtra II.9), seja respeitado não só a preparação física de fortalecimento de músculos, mas também a preparação psicológica para alcançar tal postura.

Variações:Iyengar chama essa postura de shalambashirshasana II [sAlamba shIrSAsana] – a postura do suporte sobre a cabeça e faz parte de um ciclo de posturas com o apoio sobre a cabeça, com inúmeras variações. Costumamos treinar primeiramente com a postura chamada de delfim onde a posição da cabeça e das mãos são as mesmas dessa versão, mas não se retira o pés do solo. Apenas, se caminha em direção a cabeça, se retifica a coluna e assim se permanece. Depois se pode treinar próximo a parede para ganhar confiança, que na hora do equilíbrio serve de apoio. Há também a versão da kapalasana, cujo joelhos se apóiam sobre os braços, quando essa está dominada, completa-se a postura elevando as pernas.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Postura do Gato


Uma postura simples, de fácil execução, recomendada a pessoas de todas as idades, com contra-indicação apenas para quem tem problemas na lombar e nos joelhos. O Marjaryasana é a Postura do Gato e serve como ponto de partida para outros asanas e variações de equilíbrio.Essa postura clássica requer alguns cuidados, como afirma o professor de Yoga Julio Fernandes. “O encaixe do quadril deve ser perfeito com o recolhimento abdominal para a lombar não ficar vulnerável, e a coluna sempre precisa se manter na linha horizontal”. Para o alinhamento ficar correto, Julio diz que “cobertores, almofadas e até mesmo cadeiras acolchoadas ajudam a posicionar o abdômen e manter a coluna adequada”.O tempo recomendado para a execução do asana é de um a dois minutos, mas variações podem ser feitas. “A respiração é livre, ou seja, pode ser baixa, média, alta ou completa. Como essa postura é básica, a elevação alternada de braços e pernas também pode ser acrescentada para proporcionar mais equilíbrio e relaxar a coluna”, afirmou Julio.Alguns grupos musculares são fortalecidos com a Postura do Gato. “Braços, bíceps, tríceps, deltóides e trapézio têm boa resposta quando você consegue distribuir seu peso para a palma da mão e para os dedos. A consciência faz com que você não sobrecarregue o seu punho e trabalhe os grupos musculares. Essa é a biomecânica do asana”, explicou Julio.Além de aliviar cólicas menstruais, esse exercício é recomendado às gestantes, às pessoas da terceira idade e pacientes em pós-cirúrgico que perderam massa muscular. “É indicado para todas as idades, ótimo para toda a região pélvica, pois alivia os gases intestinais. Para quem é totalmente leigo, basta respirar profundamente e devagar, pois junto com as variantes todos os órgãos internos serão massageados. Para quem perdeu massa muscular com cirurgias, esse é um meio de resposta. Essa prática também é muito interessante para os corredores e nadadores, devido ao fortalecimento na coluna e nos braços”, completou Julio.

Marjaryasana (Postura do Gato) Comece com suas mãos e joelhos na posição de “mesa”. Tenha certeza que seus joelhos estão na linha dos quadris e seus pulsos, cotovelos e ombros perpendiculares ao chão. Centralize sua cabeça em uma posição neutra, com os olhos voltados para o chão. Quando expirar, levante sua coluna em direção ao teto, mas mantenha os ombros e os joelhos na posição inicial. Solte sua cabeça em direção ao chão, mas não force o queixo no peito. Inspire, retorne à posição inicial de “mesa” sobre suas mãos e joelhos.

Dicas da postura Manter os braços em posição vertical, olhando para baixo, é importante. O rosto deve permanecer na linha das mãos e o peso do corpo fica igualmente distribuído entre a palma e os dedos das mãos para não sobrecarregar os punhos. Soltar a cintura, girar os calcanhares e contrair o abdômen são variações comuns dessa postura. Ao inspirar, afunde a coluna e olhe para o teto. Ao expirar, volte a coluna ao alinhamento e encoste o queixo no peito. Para fazer a postura, imagine-se como um gato. Apóie as mãos abertas no chão, os joelhos e os pés e tente sincronizar a respiração com os movimentos.-->


PYJ # 20/10/08

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Como Ganesha obteve sua cabeça de elefante?


A mais conhecida história é provavelmente aquela encontrada no Shiva Purana. Uma vez, quando sua mãe Parvati queria tomar banho, não havia guardas na área para protegê-la de alguém que poderia entrar na sala. Então ela criou um ídolo na forma de um garoto, esse ídolo foi feito da pasta que Parvati havia preparado para lavar seu corpo. A deusa infundiu vida no boneco, então Ganesha nasceu. Parvati ordenou a Ganesha que não permitisse que ninguém entrasse na casa e Ganesha obedientemente seguiu as ordens de sua mãe. Dali a pouco Shiva retornou da floresta e tentou entrar na casa, Ganesha parou o Deus. Shiva se enfureceu com esse garotinho estranho que tentava desafiá-lo. Ele disse a Ganesha que ele era o esposo de Parvati e disse que Ganesha poderia deixá-lo entrar. Mas Ganesha não obedecia a ninguém que não fosse sua querida mãe. Shiva perdeu a paciência e teve uma feroz batalha com Ganesha. No fim, ele decepou a cabeça de Ganesha com seu Trishula (tridente). Quando Parvati saiu e viu o corpo sem vida de seu filho, ela ficou triste e com muita raiva. Ela ordenou que Shiva devolvesse a vida de Ganesha imediatamente. Mas, infortunadamente, o Trishula de Shiva foi tão poderoso que jogou a cabeça de Ganesha muito longe. Todas as tentativas de encontrar a cabeça foram em vão. Como último recurso, Shiva foi pedir ajuda para Brahma que sugeriu que ele substituísse a cabeça de Ganesha com o primeiro ser vivo que aparecesse em seu caminho com sua cabeça na direção norte. Shiva então mandou seu exército celestial (Gana) para encontrar e tomar a cabeça de qualquer criatura que encontrarem dormindo com a cabeça na direção norte. Eles encontraram um elefante moribundo que dormia desta maneira e após sua morte, tomaram sua cabeça, e colocaram a cabeça do elefante no corpo de Ganesha trazendo-o de volta à vida. Dali em diante ele é chamado de Ganapathi, ou o chefe do exército celestial, que deve ser adorado antes de iniciar qualquer atividade.

O Rato - veículo de Ganesha


De acordo com uma interpretação, o divino veículo de Ganesha, o rato ou mushika representa sabedoria, talento e inteligência. Ele simboliza investigação diminuta de um assunto difícil. Um rato vive uma vida clandestina nos esgotos. Então ele é também um símbolo da ignorância que é dominante nas trevas e que teme a luz do conhecimento. Como veículo do Senhor Ganesha, o rato nos ensina a estar sempre alerta e iluminar nosso eu interior com a luz do conhecimento.
Ambos Ganesha e Mushika amam modaka, um doce que é tradicionalmente oferecido para os dois durante cerimônias de adoração. O Mushika é normalmente representado como sendo muito pequeno em relação a Ganesha, em contraste para as representações dos veículos das outras divindades. Porém, já foi tradicional na arte Maharashtriana representar Mushika como um rato muito grande, e Ganesha estando montado nele como se fosse um cavalo.
Outra interpretação diz que o rato (Mushika ou Akhu) representa o ego, a mente com todos os seus desejos, e o orgulho da individualidade. Ganesha, guiando sobre o rato, se torna o mestre (e não o escravo) dessas tendências, indicando o poder que o intelecto e as faculdades discriminatórias têm sobre a mente. O rato (extremamente voraz por natureza) é habitualmente representado próximo a uma bandeja de doces com seus olhos virados em direção de Ganesha, enquanto ele segura um punhado de comida entre suas patas, como se esperando uma ordem de Ganesha. Isto representa a mente que foi completamente subordinada à faculdade superior do intelecto, a mente sob estrita supervisão, que olha fixamente para Ganesha e não se aproxima da comida sem sua permissão.

A presa quebrada de Ganesha




A presa quebrada de Ganesha, simboliza inicialmente sua habilidade de superar ou "quebrar" as ilusões da dualidade. Porém, existem muitos outros sentidos que têm sido associados a este símbolo.
Um elefante normalmente tem duas presas. A mente também freqüentemente propõe duas alternativas: o bom e o mau, o excelente e o expediente, fato e fantasia. A cabeça de elefante do Senhor Ganesha porém tem apenas uma presa por isso ele é chamado "Ekadantha," que significa "Ele que tem apenas uma presa", para lembrar a todos que é necessário possuir determinação mental.
(Sathya Sai Baba)

Atributos de Ganesha


Cada elemento do corpo de Ganesha tem seu próprio valor e seu próprio significado:
A cabeça de elefante indica fidelidade, inteligência e poder discriminatório;
O fato dele ter apenas uma única presa (a outra estando quebrada) indica a habilidade de Ganesha de superar todas as formas de dualismo;
As orelhas abertas denotam sabedoria, habilidade de escutar pessoas que procuram ajuda e para refletir verdades espirituais. Elas simbolizam a importância de escutar para poder assimilar idéias. Orelhas são usadas para ganhar conhecimento. As grandes orelhas indicam que quando Deus é conhecido, todo conhecimento também é;
A tromba curvada indica as potencialidades intelectuais que se manifestam na faculdade de discriminação entre o real e o irreal;
Na testa, o Trishula (arma de Shiva, similar a um Tridente) é desenhado, simbolizando o tempo (passado, presente e futuro) e a superioridade de Ganesha sobre ele;
A barriga de Ganesha contém infinitos universos. Ela simboliza a benevolência da natureza e equanimidade, a habilidade de Ganesha de sugar os sofrimentos do Universo e proteger o mundo;
A posição de suas pernas (uma descansando no chão e a outra em pé) indica a importância da vivência e participação no mundo material assim como no mundo espiritual, a habilidade de viver no mundo sem ser do mundo.
Os quatro braços de Ganesha representam os quatro atributos do corpo sutil, que são: mente (Manas), intelecto (Buddhi), ego (Ahamkara), e consciência condicionada (Chitta). O Senhor Ganesha representa a pura consciência - o Atman - que permite que estes quatro atributos funcionem em nós;
A mão segurando uma machadinha, é um símbolo da restrição de todos os desejos, que trazem dor e sofrimento. Com esta machadinha Ganesha pode repelir e destruir os obstáculos. A machadinha é também para levar o homem para o caminho da verdade e da retidão;
A segunda mão segura um chicote, símbolo da força que leva o devoto para a eterna beatitude de Deus. O chicote nos fala que os apegos mundanos e desejos devem ser deixados de lado;
A terceira mão, que está em direção ao devoto, está em uma pose de bênçãos, refúgio e proteção (abhaya);
A quarta mão segura uma flor de lótus (padma), e ela simboliza o mais alto objetivo da evolução humana, a realização do seu verdadeiro eu.